Quarta-feira, Janeiro 31

(1)

Desdobramento imcompleto, de um ser imcompleto, com objetivos de vida a serem acertados.
Eu me sinto no limite de algo invisivel que me empurra, em direção daquele abismo atrás de mim, de onde sobem os gritos histéricos, de pessoas pedindo socorro.
Elas não sofrem, não sentem, mas me pedem algo que está longe das minhas mãos.
Elas são tão confusas e feias, e tão maledicentes, que quase sinto repulsa.

Olhos que fogem as órbitas, seguem meu andar meio de lado, a passos cinzas, da minha vida azul.
E eu esperava que esses olhos fossem seus.

Meu medo sepulcra meu proprio medo, em quanto tomo um susto ao ver vestido meu consolo antes em desespero.
Eu me sento a beira de um lago morto, tão morto quanto meus desejos de verão...
Sem movimentação, a olhar a morta movimentação do lago.

Em quanto isso, meus passos ecoam, vazios, por um caminho de pedras e soluços.





Terça-feira, Janeiro 30

neo-qualquercoisa

Quando algo te derruba logo no primeiro golpe, eu tenho vontade de esticar meus braços até o inferno.
Lâminas, lâminas malditas, que passam rente ao meu pesadelo. Ameaçam cortar meus sentidos mais uma vez.
Meus escudos de marfim, inpetuosos, rosnam ao seu encontro. Minhas lança feito estirpe apontam varios angulos, dilacerados.
É meu mundo cinza, e embaçado pela falta de criatividade.

Eu escuto seus clamores, desesperados ao meu alcance, tentando me fazer ressentir mais uma vez. Eu os escuto, e sumo, tentando não dar importancia.





Segunda-feira, Janeiro 29

Ao alvorecer da folha morta, sente-se o cheiro da mocidade.

Eu tentei não me importar, cortar no ato, o sentimento.
Mas era minha constância em dias de chuva. Mesmo que poucas vezes.
Eu engoli seco a voz, e ressenti pelo que viesse. Eu esperei ansiosa, tentando me conter.
Escutei calmamente, como um alvorecer.
Mas explodi meus olhos profanos, ao ver pelo caminho, dar-me as costas.

Eu não desejo mais tal culpa derradeira, que aos poucos cai.
Preciso de tudo, sem dividir. Preciso alimentar meu egoísmo. Engasgar-me com meu proprio ego.

Mesmo tendo em mãos sua convulsão, preferi deixa-la escapar. Agora, sigo-te com os olhos, intensamente, pra nunca mais querer.
Sem pernas, inevitavelmente estática, tantava disfarçar minha lamúria.
Sem coração, tentando pelas palavras, prometer o que eu não posso cumprir.
Sem gestos, apenas escutando essas lâminas cortarem desesperadamente de um lado para o outro minhas tentativas de não escutar.

Onde está meu chão, quando eu mais preciso dele?
Eu já não sinto os teus sinais. Eu já não os tenho, cravados, na carne. Eu nem mais posso me esconder.
Eu? Quanta esperança... Já não existo mais.

-Cante pra mim, de novo a mesma música. Eu não vou reclamar pela repetição constante. Desde que ela se repita na altura dos meus olhos, das minhas mãos... dos meus lábios. Desde que ela me faça tão bem, ao acolher teu corpo langue, entre meus braços.

O que mais dói, é saber que nesta hora, como em qualquer outra, nada importa como deveria se encaixar. Não pensas, não sentes, não entende. Nada importa, como deveria, timidamente, se encaixar.
As cores fortes, algumas estrelas, tão insistentes, que obtem minha atenção, até eu me voltar novamente aonde se concentra o centro do meu 'mundo'. De onde eu sai as pressas.

As folhas caíram. TODAS as folhas cairam. Estou em outra estação, com um medo estonteante, que não me deixa dormir um minuto sequer.
Não, não está tudo bem. Eu só posso sentir da dor esse descaso. Eu só posso sentir pulsar a dor mais perto. Maldita... dor... Que mata aos poucos.
Eu vou dizer o que? Eu me sinto aos pedaços. Incompleta; vencida pelo cansaço. Sem tato, sem cheiro. Deteriorada pela falta da minha vontade. Com vontade de deseterrar meus belos punhos. ... Caminhar as sombras que estão por vir.

Eu me via em tua órbita, tão calma. Curvilinea e pronta a esperar. Tão artificial, e sem cor. Ela se perdeu...
Nosso plástico azul... Sem sentido.

[eu não consigo mais escrever.]

Me sinto um caco!





Domingo, Janeiro 28

Plastic

Aos poucos vou perdendo a cor viva que sustentava toda a intensidade dos dias.
Ele se torna tão frio quanto meus objetos. Impermeável, rígido, morto assim na flor da idade.
Uma mortalidade imoral. Salientada e imovel de tal forma, que mal consigo respirar meus proprios pensamentos.

Tão artificial que meus desejos não aceitam flores. Tão alheio, que meus pensamentos não se dobram a beleza.
Tão seco, enfim, que meu peito não se mobilize, nem se inquiete com as transformações.
Apenas se emudece. De tal maneira, que eu nem consigo reconhece-lo. Resguardando-se para algo oculto, em uma dimensão desconhecida.

Passe de todo meu ardor contemporâneo, aos cacos em que deixaram minhas janelas. Secam-se as flores, e vai-se a primavera. Até que algum dia, alguém complacente, diga palavras doces.
Até que desse inverno, surja algo intenso, e renove a infermidade desse espirito caido.

Eu sinto o frio da impaciência. Envolvido nesse plástico azul.





Sexta-feira, Janeiro 26

Audio Track 16

Escute o ruído.
D A N C E!

É o som supulcrado pela chuva. É o som que move meus punhos, tão cansados da rotina.
Pode-se ouvir de longe. Tão longe quanto quando alcanço meus sonhos.
É o pulo da exaustão.

Trace seu caminho. Escolha sua reta. Não deixe seus passos serem apagados pelos medos.
Não deixe que suas dúvidas recolham suas escolhas.

Faça com que sua culpa se perca, alagada, em doces caminho de cera, no velho tilintar mirabolante da madrugada rubra, e escassa. Desapressados e receptivos, tão mal elaborados quanto a desordem com que andam meus infernos de giz.

Se perdem, se retorcem, e retrocedem. Felizes e entorpecidos.

Lá ao longe, está mais um corredor estreito, onde me perderei docemente, sem paciencia.





Deturpada mente em ação, pequena criança em reconstrução.

"Ele descobriu um câncer"

Em hiato e desvaneio. A doença segue, rotineira o caminho do meu sangue. Que consumação exuberante. Sinto devorar minhas entranhas malditas.
CUSPA suas amidalas, em quanto em tento arrancar meu olhos com as unhas.
Reconstruindo todo meu ser.
Eu posso sentir insetos caminhando em minhas veias.

Olha mãe, agora posso sentir meu coração bater mais perto.
Ele pulsa minha doença incurável. Ele pulsa meu câncer.
Vou arranca-lo e tatea-lo até que eu dê o ultimo suspiro.





Quinta-feira, Janeiro 25

Without shane

Não há nada na minha cabeça.
Não há nada.
Não é nada.
Apenas deixe fluir sua cor purpura. Apenas deixe fluir seus medos sem sentido.
Apenas deixe...





Terça-feira, Janeiro 23

sleep

Feiches de luz, cortam agora meus olhos, que inconsequentes, não querem mais enchergar.
Seu toque traçado escorrega, sem limites, e sem medo. E é como o vejo. De frente a minha culpa.

O que te trouxe até aqui?
Ora, não me faças rir. Não me deixe fugir, e me trancar no meu proprio mundo, antes de desejar algo de valor.
Não faça nada por mim. Só observe em quanto eu dou as costas.

Sempre em movimento sub-sequente.
Morta em desvaneio enlouquente.
Sofre a dor da angústia rotineira.
Chora, à órbita de sua morna feiticeira.

Perca-me nos retalhos mal-trapilhos e enganados.
Sugue de mim as cores-desatinos
Fora de um belo rosto fino.

Teatro mudo, sangra.
A bela morte, encanta, estarrecida.
Esconda-se, querida.
Encontre a minha órbita adormecida.

Encontre em mim, a sequela que te enlouquece.
Não encontre mais nada. E vê se me esquece.





Segunda-feira, Janeiro 22

Suicidio por exaustão

Vomite algumas citações. Em minha grande face desmarcada, e chorosa nesta noite.
Me faça escutar alguns lamentos B A R U L H E N T O S que escapam do quarto escuro.
"o coração é um grande cemitério"
É o fim, neste corpo embriagado. Nesta mente destinada a culpa. Vício por palavras ardentes.
Sem forças, sem resistência. Tudo some, e eu me perco, desmaiada, em sonhos pesadelos.

Eu não tenho nada a dizer. Eu não sei mais como dizer. Eu me perdi das palavras.
Eu sou minha própria culpa, eu sou meu próprio peso, eu sou minha própria prisão.
E eu não sei mais escrever.





Sábado, Janeiro 20

zero

Um céu de estrelas. Olhos, simples, brilhando.
E é isso tudo que eu tenho a dizer.
Eu sou tão idiota que posso me sentir mais pesada nesse momento.





Quinta-feira, Janeiro 18

I wish I was blank

O nada. Tão fiel.

Eu quero me sentir vazia.
Mas não esse vazio cheio de súplica.





Quarta-feira, Janeiro 17

Pictures Of You;

Eu desci de mais um degrau da minha vida, desesperançoso e úmido, como quando eu te alcancei pelas mãos e pedi pra que voltasse. Com lágrimas nos olhos.
Eu não te pedi pra que fostes embora, e nem sequer pedir pra que entrasse, eu só te puxei pelo coração, e nada mais disse.

São apenas alguns segundos, e tudo some, explodindo em uma grande dança de cores e ruídos.
Meus pés já não tocam os seus. E aonde foi parar sua face desfeita?
Eu não alcanço seus cabelos. E sua voz não mais ecoa freneticamente.

Sentir na dor, viçosa esperança, que decái aos poucos.

Eu esperei sentada, enquanto aspirava aquelas feições desconhecidas que circundavam a órbita em desvaneio.
Eu sentei ali, e me perdi. Como um vulto desposto a enfrentar sua face, e sumir no teu ventre.
Ao alcance do teu olhar, e a singela cor que exalava.

Sinto náuseas saltitantes. E preferi correr dos medos e me esconder no teu perfume, poético.





Terça-feira, Janeiro 16

Libertação.

O que te prende, doce criatura?
O que te impede de tentar as coisas que te satisfazem?

Criamos celas de carne, junto com nossas morais tradicionais, e se pensarmos bem, estúpidas e sem sentido.
Nos abstemos do que temos vontade, e não nos permitimos colorir a nossa vida de vermelho, só porque o cinza é dito certo na televisão.
Seguimos preceitos ressurgentes do fundo da ignorância, a tempos dita incauta por nossa próprias conclusões, mas mesmo assim obedecidas.
Conseguimos ser incoerentes com nossas proprias vidas. Privando, impedindo, grosseiramente, nossos instintos de não pensar ou sequer não ouvir, os apelos contraditórios do fundo da mágoa do mundo.

Seja um lixo. Mas se sinta bem.
Mande tudo se danar. Mas viva.

Descubra seu câncer, e o guarde na gaveta.

:)





Segunda-feira, Janeiro 15

Eclat

Você brilha como solstício luminoso. Brilha e arde, perpendicularmente.
Queima, e coça como sarna. É doença e remédio. Cura e coma.
Coma profundo e doce, como favo de fél.

Q U A N T A V E R D A D E V O C E S U P O R T A ?

Eu menti. E agora tudo roda em sua luxúria.
Minha lamúria de medos, errônios, idônios, complexados.

Afogue, enquanto eu descobro as cores que te fazem mal. A caminho do anacronismo sardónico.





Sexta-feira, Janeiro 12

Bela Morte, Belo Amor;

Variação escassa, sem medo desgasta. Inferno, e prisão. Mente e corpo são, ou não.
Corre de horror, show de horror ao desapego. Devora o ventre; louco, aos poucos destroi entre.
GRITAR. A dor desmonta, e faz de conta que o sol se pôs por um momento. DESCONTENTO.
Vozes rudes, insalubres, escoam meus ouvidos aos poucos carcomido.
Faz de brincadeira, derradeira desilusão. Faça alusão, ao meu desafeto. Faça alusão ao meu desamor.
Enfeite de cacos a superfície, e coma os ultimos dedos apontados. COMA minha feição, artistica.
Faça alusão humorística. Pela última vez, desgraça alada.

EU NÃO TE TENHO. Isso é vago.

E eu não posso te chamar, pra minha órbita maldita. Pra meu ventre escuso. Meu bem, meu abuso. Eu NÃO posso odiar o belo amor que o tenho. Eu NÃO posso amar o desafeto que contenho.

Eu só posso sentir da dor esse descaso.





Restos, dejetos. Cinzas de um fim de tarde.

1º -

-Borboletas Mortas

Dentro de uma caixa amarrotada, sopra mudo os lábios torneados, aos quais entontiei minha fala desmentida.
Avante e de frente, buscando as palavras certas, com a incautez relativa.
De aro negro, de cortes leves, feito de carne. Uma planta carnívora que devora os restos de lixo na esquina escura e clara.
Vejam a cor do céu que desenvolve nesta noite.
Que deslumbra fraca, as cores fortes.
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-nihil-

Estou vomitando palavras inseguras, insensatas.
Borbulhando asperamente a sua face desfeita pelo passo apressado.
Corra, corra, depressa. Para minha órbita maldita.
Aspire minhas luzes fortes. BRILHANTES. Elas palpitam desavergonhadas.
Tanto medo, mal escondido, e desnecessário, agarrando engrandecidamente os meus pesares violentos.
Sambam notas em loucura, neuróticas e pulantes, sobre as indecisões.
Estão vivos na ponta da língua. Brilham como fogo, nos olhos.
GRITAM, enquanto suas vozes de sereia ainda existem. Sobre o mar de agulhas que sobresai aleatoriamente.
- E sinto sua falta, antes mesmo que ela venha a me fazer.

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- distúrbios de sentimentalismo barato -

Um pouco longe de onde alcançam minhas mãos. Piedosas e cálidas, dançando loucamente.
Tanto quanto lágrimas, caladas, vãs.
Receptivas e autoritárias dos meus medos, deteriorados por um vulto que some, desiludido.

Sombreadas curvas de sua silhueta eufórica.
Adocicadas e leves, de lembranças breves.
Gosto de Marfim.
Mal contadas e escassas, por trás de nebulosos olhares longíquos.

Te contar como vi as imagens, perante cansados olhos.
Que aos poucos somem... de sono.
Respirar teu olhar. Amar seus gestos. Glorificar seu andar.
Andar no teu cheiro. Forte e esquecido.

Amar suas lembranças. Sepulcrada.

Meus apoios estão em overdose sentimental.
A cordialidade brinca qual criança encapetada.

Borboletando, e sambando, e soprando.
Em desequilíbrio mútuo, organizando aos poucos o que cái.
Desorganizando pensamentos descoloridos pela chuva ácida.
Tentando ao menos, olhar o céu. Sem léu. Perdido em horizonte.

Ah, tão atento. Meu musical desânimo.

Tão mal escrito e escalavado pelo tempo.
Tão cansativo pela cor ocre que dispõe.

Pela janela. Quem é ela?

Em desafeto, a andar e pisar, minhas próprias borboletas?
Balançados pelos divergentes medos. Pedindo com os dedos.
Pedindo com os olhos. Chorando em asas mortas.
Mortas como sempre foram.

-palavras mudas, para uma pessoa surda. e distante... e que não mais as merece
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e FIM!

O fim sem começo, sem jeito, e apressado.
Um fim cansado, e intragável.
Um fim merecido. Apenas um FIM mal educado.



Mariana Ferreira Beltrame.





Agradecimentos finais.

Obrigada, eu me fodi mais uma vez.