Quinta-feira, Março 22

sedatives


Dormir metade da sua vida-morta, e sonhar em um ritmo desordenado.
Todos os objetos foram jogados no chão, depois de um dia de súplica,
Seu corpo trêmulo faz menção de cair, desabar em uma fortaleza concentrada.
Mais pessoas vieram correndo ao encontro do ar, um batalhão às suas costas.
Os remédios fazem efeitos colaterais, em convulsões subsequentes.
A escala mediana de toda sua culpa decái a frente de seus próprios olhos...
Eu não me responsabilizo pelos seus atos!
Uma mulher foi chamada a sua mesa, mas permanece muda em um balaço de dedos ligeiramente irritante.
Como eu gostaria de cortar suas mãos.
E enlouquecer pertinente em desvaneio, desacelerando os passos, entorpecendo os sentidos!





Terça-feira, Março 20

are you there?

Encostar em um canto, me virar
e assim, silencioso, ver que nada existe.
O corpo foi trazido pela manhã,
foi deformado pela noite, e se queima em pleno dia.
Dentro de uma hora todas essas maldições cairam sobre sua cabeça... agora entorpecida e desvairada.
Mas eles não têm medo.
Se esvair de esperança com todas as possíveis cartas na mão,
cartas na manga. Elas saltam silenciosas.
Um desastre fez com que milhares de pessoas se desesperassem,
mas o que tens a ver com isso?... Lá fora, a inverno invade impiedoso.
É a última estação.





Sábado, Março 10

memórias póstumas de um dia sem fim

No meu jardim de infância, tímido e lírico
Dança com exuberância, seu fervoroso corpo ímpio.
Observo com cautela, e me debruço à janela.
Tem a voz mais bela e aguda, e me lembra tal uma gazela.

Em seu mundo solitário, se arma em si sempre totalitário,
É tão frio o seu semblante, faz tremer com os pés o meu terreiro.
Me faz crer em algo semelhante, que guardo sempre no armário,
Tão rude e asfixiante, me atrái para seu rosto redondo e vermelho.

E eu não posso com sua maneira de falar...





Quinta-feira, Março 8

Meu coração não quer deixar, meu corpo descançar.

Algo pesa sobre o corpo, cansado e sonolento, que pede abrigo em algum canto. No seu rosto um ar funesto, faz-me medo, mas não grito. Olhos fundos feito vale, e em suas mãos de calos, a desgraça. Trouxe medo e decepção, e faz tremer o dia sólido, nesse inferno de sorrisos cínicos, que dançam euforicos o ritual de acasalamento.
Sorri de uma forma confusa, e guarda o ódio pra si mesmo. É feliz longe de si mesmo, e deteriora quando encontra-se novamente. Não fala mais que 3 palavras...
Não vejo a salvo seus pensamentos mudos, que agora são lavados por mãos desumanas, tentando incessantemente arruimar suas vontades próprias. Nem força e nem vontade, se arrasta de um lado pro outro, morto de compaixão, morto em vida, em tédio, em desamor.





Segunda-feira, Março 5

die, please

Nada tem sentido quando se tenta explicações. Cansamos de buscar ou esperar por algo inexistente. Eu e meu egoísmo barato, ainda estamos de pé.
Não vou tentar construir as coisas contra o vento, esperando que eu seja mais forte que o mundo todo, e ir contra a fortaleza da massa. Sou uma única, que sozinha não conta, tentando se infiltrar no meio do mundo, sem ser percebida e esmagada. Esperando assim, que sua existência sem nexo, seja zerada pelo ultimo suspiro.
Diante da luz só se enchergamos com os olhos, e eles são a mentira que nos corroi. É por isso que tenho medo do escuro. Da maneira como ele liberta as correntes de todos os corpos, loucos por liberdade moral.
Eu posso pensar sozinha, e não preciso de amigos imaginários. Não sei a diferença das leis, mas sei o que me agrada.
E cada dia se resume como reflexo das consequencias do passado, e os planos do futuro. Nunca vivemos pelo presente, uma vez que ele é um intermédio entre 'fiz' e 'farei'.
Não tenho, não preciso, e não quero amigos eternos ou pseudo-verdadeiros. Só quero poder respirar o ar, e sentir que o dia será produtivo em minha ações. Sem esperar a aprovação de alguém, fazer algo que eu me orgulhe.
Me questionar quantas vezes for preciso, em todas as minhas palavras e ações. Pensar no porque das coisas, sem deixar com que o que já está pronto por mãos de outros, entre na minha mente. Não pedir ajuda ao léu, porque ele não existe.
Vivo no vácuo, e tudo é projeção do meu cérebro.





Domingo, Março 4

silêncio!

encanto seu canto, e me espanto
me sinto em vez enrolado.
fisgo cores que exalam seu manto.
é só uma desculpa de viver do teu lado.

se cale, não diga mais nada.
faça dos teus olhos minha maldição desgraçada.
recue sua beleza e simpatia
deixe fluir, toda mágoa, rancor e agonia.

seu câncer circunda raivoso.
corrói a carne, depreda a vida.
a beleza se esvai em sangue
em teu peito robusto e langue.

posso ver lhe secar com a loucura
e tocer para que nada disso tenha cura.
minha indigna feiticeira,
seu reflexo morto já faz feder a cabeceira.





silêncio!

Cale a boca com esse efeito desgraçado que você faz nascer. Eu não quero escutar o eco dos meu pensamentos, e o lixo que se detem na minha vida.
Preciso de mais uma dose de ilusão. Os meus dias são tão pacíficos quando me deixo levar pelos sonhos.
Malditos sejam todos eles.





Sexta-feira, Março 2

em qualquer lugar

Eu posso mentir ao ver as consequencias, sem querer enfrentar a armadilha que eu mesma fiz, transpondo minha covardia a frente. Por muito tempo saberei contestar, e transformar minhas feições em outras que ninguém conhece; nem eu mesma. Transpor palavras doces e firmes, e ditar os acontecimentos falhos, retardadando meu próprio autoconhecimento. Me odiar por alguns segundos... Frações de segundos...
Por quanto tempo, eu saberei mudar?
Em algum lugar, qualquer, bem longe por escolhas indiretas e alternativas concretas. Correr da luz que afeta meus olhos, e me encolher.
Não conseguir por incapacidade, ou por falta de oportunidade. Ser fiel ao magnetismo humano, tão idiota e tão requisitado. Mudar as direções, escrever outros caminhos. Escutar a voz do ármario, e ter amigos imaginários. Escrever nas paredes, e me espelhar em algumas letras.
Não posso ler minha prórpria mente, tão torpe e rente.
Adeus. Caso mude meus pensamentos. Posso mais uma vez, excluir meus restos. Posso mais uma vez ser inconstante e me adaptar longe daqui. Fazer tranformações...
Nunca o mesmo dentro de si mesmo. Sempre tão impulsivo perante os outros. E importante pela cor forte que reflete.
AGORA em seu lugar. As coisas se encaixando. Ele sorri, tão friamente que posso ver suas rugas.
Pode ser apagado. Seu passado não mais importa, seu futuro também não. Agora ele será acordado, e verá o dia feio que o espera.
Mudando as coisas de lugar, transformando a beleza em putrefação. Invertidos e perdidos, ficam todos mais bonitos.

Entre o escuro e o claro, há uma voz que eu aguardo... Ansiosa.