Quarta-feira, Maio 16

disfunção ideológica

Lutar por algo, e ver que no fim de nada valeu seus esforços.
Eu odeio escutar essa voz de impotência, cortando todo meus sentidos e sangue correndo pelo corpo, como uma corrente elétrica pronta pra fazer com que eu dê dentadas no ar.
Eu queria tanto comandar um barco com meu nome no casco, ao invéz de esperar a boa vontade de um ser humano a me ajudar. Eu odeio a idéia de ter que seguir o plano dos outros, e não os meus, e ter de esperar a minha vez, sendo que a vida é minha. Nada me faz ter mais vontade de desistir de tudo, do que a impotência de fazer as coisas.





Segunda-feira, Maio 7

O barulho das ruas faz com que eu desapareça.

Esconda seu rosto anônimo
Fazendo-me sofrer de tédio,
em desacerto...
Em quem meus olhos desfilam do começo
Pra em seguida descobrir seu corpo médio.

Incrédulos,
Seus sonhos intorpecem os atos vãos,
Meus dedos se misturam em suas mãos,
E a distãncia do olhar ainda vazio,
Ressucita enfim palavras cruas.
Me fitam e se mostram nuas, que mal posso consentir.
E ao cantar pra mim uma aproximação,
Faz-me vencer o vazio e persistir.

Ao me encher de vidas nulas,
E ver o maldito destino me impedir,
Eu não descanço, e em suas mãos entrego contos,
Porque o certo faz o errado existir.

... até que se posssa ver o sol novamente.
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Ele reflete o que lhe é dado,
Sem vontade própria esta em cores,
Não faz ruídos, nem menção, nem canção,
E eu me espanto ao ver seus não-olhos de horrores.

Dança dúbia a certeza que resiste.
E CANTA
Ela canta muda como nunca viste.

Mas seu cantar é triste... E seu amor também....

Tem a melancolia das manhãs mais sórdidas,
Sem lágrimas, apreensiva, chora muda como um neném.

Ela era bela. Era imunda. E se foi.
Lhe desico desdém.
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NÃO TEM LUA. Não tem sol.
A terra esta em transe... a espera que alguém lhe cante...
E eu canto, meu manto desiquilibrado.

È O FINAL DOS TEMPOS.
... e eu vivo do meu passado.

Mas eu continuo sentado....
Vazio. A me sentir.




[ marcas de um dia melancólico]





Domingo, Maio 6

Eu procuro vozes, eu preciso gritar
uma abstinecia dos deuses, faz o corpo sangrar.
Meu ritmo dançante permanece intacto
nesse mundo de horrores, dançam mudos impactos.
Ação de pensamentos em um corpo sem sentimento,
os tambores tocando do outro lado do muro,
a visão do inferno faz a boca tremer
sinto a vida do chão e a morte chegar.
Recuperam suas crenças, levantam vozes tão densas,
dançam tímidos amantes ao redor do calor.
- Com seus corações tão cheios de amor...
Ruídos intensos ao relento,
e seu passo é bem lento.

Sinto a vida do chão e a morte chegar,
uma abstinecia dos deuses, faz o corpo sangrar...





Terça-feira, Maio 1

é em vao, caminhar sobre esses trilhos, ver a cidade se perder em minhas costas, voar sozinha pela ilusao de poder voar, nao falar, em meio esse tumultuo.
a alma mergulha em outro jornada, de onde sairei morta ou sequelada. esperando o tempo correr.
nao penso em nada exatamente, meu cerebro temporario permanece vazio, inutilizado.
e tambem nao tenho nada a dizer.
uma mudez temporaria.
sinto o tilintar do aniquilamento do pensar, mas a paisagem é densa, permanece inerte, sem movimentaçao a me obsersar.
rebusco palavras, açoes e pensamentos, na inutilidade de viver, e receber disso algo em troca.

queria morrer, pra nao ter que viver a pensar.