Terça-feira, Agosto 28

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... e a vontade de morrer, quando a vida passa diante dos olhos.





Segunda-feira, Agosto 27

caffeine

é um espelho, onde vejo reflexos opostos
o outro lado do muro, desordenadamente
é você, criança doente?
vamos, amigos, arranquem seus olhos tortos.

maldita culpa reluzentemente indolor
odiável visão do mais puro torpor.
reverencia fácil se faz ao amor.
ele, que eu queria não sentir se recompor.


posso voltar a sonhar?





Domingo, Agosto 26

o inferno é ter amigos (mortos)

sobrio medo do anoitecer
ao lupanar da ansiedade
os meus olhos se enchem de verdade
e só conseguem ver você.

corro, descorro um copo de alcool puro
uma deserta e lúgubre cidade
faz você sumir em meio a entidade
próxima do seu rosto, que debruça o muro.

a saudade, será que ninguem vê?
a cegueira toma conta do corpo são?
amputada, um braço sem mão
a vida passa, sem que eu consiga perceber.





Sexta-feira, Agosto 24

-

em meio a fumaça, uma tormenta
a tinta aflita, se apodera da alma
remédio tomo, pra encontrar a calma
da pintura, singelamente violenta.

sua pela tem cheiro de menta
a carne, parece suculenta.
tem semblante flamenjante.

espere um instante...

hiato criativo.
medo cativo, cultivo.

as rimas sem cor, o céu sem amor.

estrela derradeira da manhã?
sinto debruçar o anoitecer
de forma tão irmã... tão sã.

me sinto lúcida, friamente estática.
ponho ódio na prática.
sai da teoria, vossa senhoria.
odiar é amor de quem não tem o que amar.





Quinta-feira, Agosto 16

ненависть

Velho truque de repetições tão óbvias, escritas friamente na palma da mão.
Sei cada passo, de frente ao fracasso, que você provocou.

Prossiga, querida.


exerce sua destemida culpa de critério estético:
"é a menina dos olhos azuis resplandecidos
da furta-cor mais viva dos tecidos,
esquecida velha, e pendurada por um olhar cético."

virou-me as costas, sem sequer um cumprimento,
deixou-me a observar seu movimento.
deixou-me a contemplar seu corpo fino.



digo algo?
que cause efeito ou estrago?

prefiro assim, fitar o vago.
da minha vida de brinquedo, sempre a procurar.





Terça-feira, Agosto 14

break

Sua face desfeita em preto e branco,
deslocada em doces e falsos caminhos de açucar.

- a quebrar seu coração?
- a despejar perdão.

E ao entrar na minha mente, se sente feliz criança.
Quanta candura cheia de esperança,
mesmo sem espasmos de amor sem fim.
Uma voz rouca a se livrar de mim.

Se endurece de vontade, santa bondade
ao querer morrer.
Não-viva, se esquiva, estasiando castidade.
Eu tão amarga, queria, te fazer sofrer.





Segunda-feira, Agosto 13

queda... queda!

cheiro de lembranças cheias, vazias de inconstância,
estreitamente constantes,
obstinadas e me deixar intacta.

e se ela despencar do céu, com seus lábios vazios de mel,
cantando com olhares desacertados.
me sinto um nada, de gestos tao claros.
sem rimas certas com temas raros...



subtamente te deixo cair.





Domingo, Agosto 5

estado de horror.

corre a iluminar sedenta, esgueirando a face
brota violenta, e explosiva implora amor
doente, me sinto deteriorada em torpor
fez-me bem a desistência de um impasse.

tateia, culpada, e sozinha desce uma escada
ser de catatonismo demasiado sardônico
espalha pelo chão, câncer de ímpeto crônico
esplendida tristeza lhe cai rápida como pancada.

oh, não disse-me sequer mísera palavra.
prefere-me, magra, como uma negra escrava.
servindo aos marcos de deus além.

perfeitamente abstrata a escancarar a boca
vazia, faminta, em desamor, me sinto oca.
preferindo feridas em estado de horror também.

(sinto velhas presas em desdém)

eu (não) amo, meu bem.





Quinta-feira, Agosto 2

culpa

raiva cresce na cabeça como lava.
eu poderia enfim matar-te, com prazer a ser resolvido.
eu poderia enfim sorrir, com um razo ser a ser absorvido.

mostre-me a verdade, como lâminas sorturnas, onde deposito tua cabeça.
a favor da contrariedade, de viver, e não receber disso algo em troca.

eu poderia enfim matar-te?
- com prazer
um ser abstraído.

caça, co'a fanha esquina da escória
enlaça, a mercê da quente lua do dia.
abraça, tonta, ao perder o ar da noite.
engraça, desgraça, a voz da fúria, pia.


eu poderia enfim matar-te.