Domingo, Setembro 30

perda de tempo.

A tormenta das ruas, a tormenta das luzes, a tormenta da vida.
Tornar-se parte de algo que abomina, e poder observar o quanto se completa com o mundo. Ver beleza na dor, com ironia. Perceber que depois de um tempo, você se afasta dos outros, e se aproxima de si mesmo. Começa a conhecer a essência de estar sossegado, mesmo que esteja sozinho. E ser apenas mais um desapercebido pelas ruas complicadas demais.
Ver simplicidade na inconsequência, ainda que ela seja apenas um resultado inesperado.
Não é surpresa alguma se pegar observando ao redor, enquanto os minutos passam... Passam enlouquecidos.

Derepente você é tudo aquilo que não queria, e seus planos infalíveis dão lugar a experiências abertas. Derepente, tão derepente você é livre como queria, mas se pergunta o porque das coisas.
Evolução torna-se apenas um conceito, e em alguns segundos a gente quer apenas transceder alguns sentidos irreais, e deitar na grama observando o céu, e sua movimentação inquieta.

Existem horas em que a única coisa que consigo pensar, é em como as coisas andam estranhas.





Domingo, Setembro 23

setembro

instituindo flores no vermelho langue
pulando em meio as luzes da cidade
uma escultura oca de meia idade
linda ternura, feita da cor do sangue.


cravada a amargos medos de ninguém...




a beleza em tons de cinza,
alimentada por saudades.
sozinha e louca, abraça o vazio.





Quarta-feira, Setembro 19

closer


a eternidade em overdose, simplificada em segundos.
a inconstância? aprazmente ativa em meus ouvidos.

ignoro teus trejeitos.
mas não consigo te ignorar.





Segunda-feira, Setembro 10

minutos.


... os olhos beijam o céu,
enquanto alguém se afoga em uma xícara de café.





Sábado, Setembro 8

semi-soneto (z)

Meus olhos decaem sorrateiramente,
Pelo torpor, talvez doentio, que invade.
Ainda deitada por de trás da grade,
Escuto no silêncio o barulho da mente.

A distância separa a ocre torrente,
Leva, carrega oculta, a eternidade
Injusta! Aposta, fria, sem finalidade
Machucando a carne, cortanto rente.

E essa loucura vil, agora se desfaz
Frente ao abismo em que estás,
Se desfazendo da mais pura insanidade.

E a razão, a procura da próxima saída
Não vê escape nessa vida
Não entende meus motivos de desolação.





Terça-feira, Setembro 4

.

Que está acontecendo?
O mundo está ao contrário
E ninguém reparou.





Sábado, Setembro 1

(respiração)

A fumaça subindo escreve no teto meus pesadelos
Os cantos do quarto devoram meus neurônios de par em par
Os passos constantes, os vultos resonantes, estão a cantar
No espelho, vejo mãos e medos entre meus cabelos.

Um palhaço no céu, dita números gritantes.
Você não quer voar com o palhaço?

Azul medíocre de uma tarde demasiada inconstantemente sólida por sua esquizofrenia sórdida levantada por um sorriso raivoso a rabiscar papéis que outrora foram brancos como seus cabelos viciados em anfetaminas, quando queridas velhas incestuosas fazem mensão de cair aos meus pés, e eu as chuto afim de arrancar suas cabeças arredondadas e sinfônicas. MAS ONDE ESTÃO AS VELHAS? Encontre-as e as mate, inútil ser de cera. Você feito de sulfato, o que espero de um amoníaco diatômico? Mexam seus traseiros, crianças fétidas e famintas, mergulhadas em merda. Morram mais um dia, pássaros nus. Sejam arrancados de suas casas e escravizados pelo mundo (uma bola negra, agora, um buraco escuro devora todas as cabeças).
Beijem-se, HUMANOS. Queimem seus corpos limpos, enquanto sorrio presa a um andar de invejosos.
Quem se sente pior agora?

VOMITE:
Pressa sem culpa catatonica a desprender a calamidade entres escamas estúpidas e neuróticas. Veja a atomicidade estonteante, viciante, aprazmente desconfiante de meus gestos desconsertantes.
Orgasmo homeopático em doses de escalas súbitas, desordenadas à sua órbita de egos.
Não assista enfim, serafim. Passe teu coração para mim.
Morra a desejar morrer, infindavelmente indelével por ter sido apagado e recuperado.
Ninguém deseja ter sossego de insegurança roedoramente estipulada por arbustos que comem.
Beije minha ferida, querida.
Sinto nojo em olhar seu seio.
Necrose incestial, parcialmente hemorrágica.
Adoro-te ao te ver sangrar. Agonizo-me ao te ver sarar.
Este soror não pode parar.

(respiração)
Longetividade escalar. Números e doses perpendiculares.
Decorrem gotas em meus olhos?
Ignoro.

Descubra a tua culpa esmaecida
Despeça-me por completo de sua vida.
Desterre a raiva e plante em mim.
Engane as palavras e me parta enfim.

Duas, três, quatro doses de marfim.

A bater assustadoramente em meus ouvidos
Cria curvas de éter azul celestial
Monta e desdobra sua cabeça bestial
Engole apressado sete comprimidos.

Não ouve o clamor da escolha que lhe fazem
é mais culpado por amor que não dá certo
Esquece das promessas que lhe trazem
Rima, enfim, sua dor com desafeto.

Terminação constante... a desistir escaldante.

A eternidade sem preço destinada aos que sonham.
O sol faz parar o mar estonteante.

Queria morrer pra não ter que viver a pensar nesse barulho apalpante.

(28/08/2007)

o instante!