Segunda-feira, Novembro 26

tristesse

algo que não se domina.
não se denomina.
não se converte.

inesperado
um fardo de dúvidas
e um desespero alucinado.

é mal, é bem
não é coisa dos deuses
não pertence a ninguém.

transparencia e lucidez
transbordando e extinguindo os sorrisos
transformando o tédio
em agonia.

vem de onde existia alegria
e vai pra onde reside a poesia.













não é na beleza
que se esconde a beleza.





Domingo, Novembro 25

1

Diminuindo os sentidos reais de paciências irreais tornando-se alguém a vomitar a vida pelos olhos.
Tornando-se alguém a se retirar das próprias coisas e destinguir as lembranças como fogo em uma caixa de desamor.
Desarme as boas frases de respeito e repita comigo como a vida anda pra trás, regressão a quilômetros por segundo, rastejando uma culpa recém-nascida, como quem rasteja cinco pedras em seu corpo. Magro e faminto.
As velhas magras, as velhas, sempre a diminuir meu senso, a envelhecer meus pensamentos. As velhas de meus pensamentos.
Incestuosas e negras, tão negras a bailar a nudez de suas vidas pelas ruas de escória e asco.
Ânsia pelo anonimato de dias estontetemente retraídos e tensos, ténues nevoas de ninguém. Se arrancam da vida.

Alguém sempre dá o primeiro passo.
Onde ninguém mais pode pisar.
Onde ninguém mais irá pisar.





Sábado, Novembro 24

segundos

Frações dos minutos, deixados as vezes de lado, por alguém que some nas sombras
Minha janela seria vazia sem meus pássaros
Seria apenas uma janela, e nada mais.

Respiro enquanto posso as luzes
tão mal contadas e depreciadas pelas olhares de rotinas,
bêbados de estresse.

Mergulho
e aos poucos faço parte
da massa ilusória da cidade.
Das pessoas com caras de insatisfeitas
e suas mãos sendo balançadas repedidamente em direção ao óbvio
sempre a frente
sempre a frente
sempre a frente.

Sinto medo de me tornar tão humana
e não conseguir mais olhar pro espelho, e me reconhecer.
Medo de sumir
em meio a todos
em meio ao sempre
em meio ao constante.

Faz-me rir inteligência abstrata
Como alguém que ri de si mesmo
sem ter medo de correr.
pra longe.





Sexta-feira, Novembro 23

.

you are my sweetest downfall.





Quinta-feira, Novembro 22

monólogo de ninguém.

Na verdade eu sempre quis ter 25 anos, e olhar pra trás da minha vida com desprezo.
Nao precisar me encher de raiva por pouco, e ver que nada do que eu digo, um dia fez sentido pra alguém. E que futuramente, isto aqui também nao fará.

N'algum dia da sua vida, o sol nasce forte e te acorda. Faz você pensar em mil e uma coisas pra fazer.
Neste dia é que nada faz sentido.
A chuva cai sem esperança, e as respostas são mudas.
Mas meus pés ainda caminham com a intenção de ver alguém tão estonteante, que a vontade me morre nos olhos.

O que me faz levantar e continuar uma auto-crítica?
Talvez a fome, talvez os espectros ou as sombras que se projetam em minhas paredes.
Algo ridículo acaba prendendo minha atenção.





Quarta-feira, Novembro 21

00:07

A vista revela a insônia
aproveito pra escrever
e esquecer
de mim, enquanto ser
enquanto errante
na ponta da tinta berrante
com mil e uma lincenças poéticas.

Lembranças são fatos
e a luz me incomoda
somente a luz
e a fumaça do cigarro
precedem as nuvens de letras.

Lembro versos mal cantados
e vazia de mim mesma
sinto fome
e dor
mas não é dor de amor.
Há algo mais nobre
por trás de uma mente tão pobre
que alguns pássaros dobrados explicariam com horror.

O vago concede
o estrago
padece
de medo
e o sangue
de cada dedo
aquece
uma face sem sensura.

Trovejo com o tempo
em busca de um sonho
que já não existe no tempo.
Perdeu-se em busca da coisa mais bela
e eu, a esperar na janela
também perdi meu contento.





Domingo, Novembro 18

circle

Não houve quem quisesse condenar.
Não houve alguém que quisesse entender.
O tempo apenas parou,
enquanto os pés parados, esperavam na calçada.





Quinta-feira, Novembro 15

eu queria morrer,
pra nao ter que viver a pensar.





in-sonho

Nem os sonhos podem fazer com que eu esqueça as lamúrias, os ventos, e as seguidas tempestades
Meu despertar é rasteiro
e minha cabeça vive cansada da velha sombra dos medos.
Ao me levantar sinto o peso dobrado, a culpa triplicada, as costas doloridas...
Meu orgulho não pede ajuda, mas no fundo quase morre
de vontade de correr
pros braços de alguém silencioso
que olhe com fraqueza através da minha alma
e não diga nada áspero quando eu perder a calma.
Tédio certo, porém seguro, mas nas mãos de um destino, porém frio.
A primeira opção é desaparecer como um estranho.





Quarta-feira, Novembro 14

just it.

um sorriso no espelho.

Se faz frio, se perverte em preto e branco.





Terça-feira, Novembro 13

o espetáculo não pode parar.

Sonhos
de pó
da poeira da vida.
A mistura dos cheiros doces
agregados ao suor dos cabelos
tão negros
e tão pálidos
levados ao vento.
Um contentamento.
Dos anjos de marfim.
Com seus negros desejos e blasfêmias mudas
Medo
do pecado dos pensamentos
da carna macia
constrastando a insolência
dos segredos e vergonhas.

Siga os sons do pecado
Siga os sons do pecado
Eles são doces flautas de prazer
Eles são doces horas de querer.

As cores, os cheiros, as flores
E sua vida a apodrecer.





Domingo, Novembro 11

Open up your eyes

Veja a sua frente um caminho aberto a se estender
E as manchas no asfalto por anos e carros a atravessar
Será minha travessia também (talvez novamente, mas agora definitivamente).

Sinto a algo a tomar conta e o duplicar de uma euforia sem explicação, a espera que me chova algo menos monótono e mais proveitoso.
"Não dificulte as palavras, Mariana" É o que eu subconsciente diz, a temer minha morte cerebral.
Mas, só morrerei se não tentar mais uma vez, mesmo que sem êxito, exalar meu egoísmo e alimentar meu ego pensando apenas em minhas vontades.

E eu que queria tanto fugir do caos, hoje abro os braços e imploro pra que me encontre, e me dê um choque de realidade.





lembranças.

Durante muito tempo me atormentaram.
De qualquer forma consegui me livrar delas. Sem pensar que haveria mais...

Elas se foram, mas sempre voltam.
Elas não se foram.
Ainda são presentes em desgosto.

Mais uma vez um esforço
eu faço pra que elas sumam da minha vida.





Quinta-feira, Novembro 8

sonho, por fim, algo assim.

é inverno, desconcertantemente frio.
um senhor se segura por um fio.
por cima de latas de fogo.
fogo, fogo,
as cordas as deixam cair.
alguém grita
aflita
e cai por terra
como ninho de mãe.
e desejam luxúrias por caminhos ambiguos
se perdem
instintivos
e eu aqui a me perder, sem poder me procurar.





]~ç[´p[;/.;/.]~´]/;

um corpo a cair docemente
se liberta da ocre torrente
do sonho casual e distinto
desta ardente crueldade que minto.

quebra o gelo, torna-se fervor
um símbolo do mais puro calor
silenciosa porém agressiva
tímida e ao mesmo tempo lasciva.

sentidos se agussam ferozes
e os dentes se rangem algozes
nas palavras que desfilam sem vez
ásperas a esperar um talvez.


_________________________

sou um ser de pedra, intruso e austero
e tenho prazer em observar o desespero
de almas de dor contorcentes
de mentes pequenas, porém reluzentes.

me faça pedir
me faça chorar
me faça sorrir
e por fim implorar.

por um pouco de neve
um pouco de luz.

que a água te leve
enquanto o vento conduz...





Quarta-feira, Novembro 7

dia

As pessoas têm mania de acabar com tudo.
De jogar a esperança no buraco, e tapar com tristeza por cima.

Deus há de convir que, não existe mais revolta.





Segunda-feira, Novembro 5

tristesse

Como um velho vadio a fitar teus olhos tão friamente, que parece querer arrancar deles uma lágrima de compaixão.
Entre o riso e a fumaça, faz-se a mais disfarçada irrealidade, de promessas a si mesmo que nunca se realizarão.
Eu tenho o poder de destruir em segundos os meus pensamento de anos. De destruir em segundos, morrer em remorso, e não se lamentar de dor.

Posso ouvir daqui de baixo, como se me apedrejassem, as palavras mórbidas de um futuro desanimante. Ele se move, e junto com ele toda minha vontade de não estar aqui agora.





arrependimento

é algo a lidar de forma grotesca.

Sente-se por fim que fez algo que não deveria.
Não há desejo, ou sombra de felicidade.

Prisão. Sim, se prende vontades.
Se prende de forma que lágrimas caem... Chovem desesperada e inesperadamente.

Como ar e poeira a navegar pelo céu.





vazio

e fim.

(o desejo é bônus)





Domingo, Novembro 4

.

"Que brota a flor da pele será que me dá
E que me sobe as faces e me faz corar
E que me salta aos olhos a me atraiçoar
E que me aperta o peito e me faz confessar
O que não tem mais jeito de dissimular
E que nem é direito ninguém recusar
E que me faz mendigo me faz implorar
O que não tem medida nem nunca terá
O que não tem remédio nem nunca terá
O que não tem receita"

[buarque de holanda]





Entre os sopros e risadas estateladas nas paredes do ambiente, aprazmente frio, deixei por alguns segundos de lado todas essas coisas demasiadamente ensurdecedoras.
Ruidosamente a procurar os cantos do mundo, pra derramar lágrimas desnecessárias, os passos ecoam em um piso discreto, pista para os mais variados sapatos, os quais observo daqui de cima, presa em minha decadência silenciosa e contraditória ao ritmo que meu corpo obedece.
Eu já não existo hiponética e pensantemente falando nesse honorário de vozes incompreensíveis que correm de um lado para o outro, sempre a procura de atenção. Mergulhei em um vazio tão cheio de nada que me abstive desse mundo de bonecas desfilantes a cochichar seus medos e demonstrar antipatia pelo óbvio. Insignificância da minha parte, talvez. Mas o gosto do interessante me instiga facilmente.

Sente a melancolia de se olhar detrás de um vidro?
Não há beleza alguma,
a amordaçar toda sua felicidade.





Quinta-feira, Novembro 1

Cedo

Sinto-me desabar
em um abismo de frente pro mar
com rimas simples em meus bolsos
e um canto perdido em minha boca.

A vida fez-me sentir oca
o descaso de um destino frio
que se pende por um fio
pio
a rudimentar escândalos em meu coração.

Sustentável decepção
de um monólogo à meia-luz, a meia noite.
retrocedendo palavras de outras reflexões
que foram
perdidas.

Eu que acreditava na inconsequência
hoje já não sinto mais
o brilho dos olhos sozinhos.
cheiros...
mistura de todos eles.
Francamente a me tomar a atenção
a cada esquina silenciosa
distante
sopro de luz.

Quebra-se o silêncio.