Terça-feira, Agosto 19

nós.

Onde estão
as coisas
que apredi com sua essência?
Onde está em meio a todo esse artifício inumano
pela busca do perfeito?

Você se perdeu em meio a algo
que não existe,
que não o é.
Algo que está longe,
no fim do passado,
longe dos nossos laços profundos.
Contrários,
e patéticamente
nos leva
para o abismo.





Terça-feira, Agosto 5

Dueto

Ao me entregar, recomecei
O meu caminho a revogar
Me escondo agora pelo que sei
Que não serei até mudar.

Palavras cruas a se despir
No branco simples, porém tardio
Quem dera eu, quando me vir
Fazer das luzes segredo pio.





Sexta-feira, Agosto 1

Sonho.

Seus olhos eram fundos, negros... Mas estava lá o mesmo corpo que eu conhecia, rechonchudo e forte, apagado e sacrificado naquela vestimenta que julgava provisória. Senti calafrios quando veio obstinado em minha direção. Entre todos os olhares frios, era o meu que permanecia crente e piedoso quando só a mim ele buscou. Assustei-me, paralisei. Onde esteve tu? Durante alguns segundos observei e em seguida fiz menção de sair, aos poucos ainda a observar de longe sua massa solitária recostada junto a porta. Virei-me, e chorei.

Porque há algo em mim que ainda quer acreditar?
Era a mentira do amor, e isso dói.