Quinta-feira, Dezembro 25
Não Linear
Era noite. Mas não tão tarde para as ilusões boêmias e flácidas que se tem à noite. Ele sorria por entre os dentes - aqueles dentes brancos desmotivados pelo sono - com malidicência de quem treme de medo, mas não transparece. Disse algumas palavras doces, outras ácidas, com quais seu humor relativo se dava, e foi-se, nadando no desvario e distraído pelo embalo leve que seus pés lhe proporcionavam. Ela, por sua vez e última, ficou ali a devanear de ninguém o nada. Entre a sala meia-luz e a cozinha conjugada ela parou, sentou, fez juras raivosas, mas aquietou-se novamente. As luzes de lá se apagaram, e agora a certeza de que dormia. Não mais livros, não mais olhos vivos - e como amava aqueles olhos vivos inocentes que brilhavam feito olhos de criança.
Ele dormia, ela sonhava acordada.
Ele dormia, ela sonhava acordada.
Quinta-feira, Dezembro 18
O sol nunca mais vai se pôr
Meu alterego
Quarta-feira, Dezembro 10
Licença Poética
Pra gritar lamúrias e carnificinas de uma alma em chamas.
Essa alma de poesia e vento.
Peço licença, a quem não sei pedir, e digo, convicta do que digo,
que não me encontro mais aqui.
Essa alma de poesia e vento.
Peço licença, a quem não sei pedir, e digo, convicta do que digo,
que não me encontro mais aqui.
estupidez
Eu desafino tuas maldades.
Meus desvarios de apreensão,
se coçam loucos pelas ladeiras, entre as rameiras, escravas brancas.
Eis teu juízo, tua cabeça não tem mais teto, nem confusão.
És tão inquieto e eu venho louca, desgraço, e rouca, grito um não.
Mas ao final, diz-me indeciso, que queres vivo
um coração.
A poesia, em demasia,
desaparecia
e me parecia
a causa vã.
Meus desvarios de apreensão,
se coçam loucos pelas ladeiras, entre as rameiras, escravas brancas.
Eis teu juízo, tua cabeça não tem mais teto, nem confusão.
És tão inquieto e eu venho louca, desgraço, e rouca, grito um não.
Mas ao final, diz-me indeciso, que queres vivo
um coração.
A poesia, em demasia,
desaparecia
e me parecia
a causa vã.