Quinta-feira, Maio 14

Maio

O melhor presente
digo
a fumaça circular
meu inimigo
de papel e cera
e vozes
que não dizem nada
e o nada
é sempre o mesmo
nada
quando se faz aniversário
em duas linhas.

O melhor presente
dos meus sentidos
é ter sentido
um colo
sujo
de lama
Um copo sujo
de graça
Uma voz rouca
de graxa
Um colo amigo
de dor.

O melhor presente
no dia da dor
se esvaiu
em cinzas pelas calçadas.

E o papel que
eu escrevo
é turvo
desconexo
cor da cor
da última dor
da calçada.

Estou sentada
olhando o nada
porque é isso
que ainda me resta,
porque é isso
que sou agora.