Segunda-feira, Janeiro 26
Daqui se vêem nuvens negras. Eu me entrevo nessa calmaria intensa.
E a qualquer momento espero que os olhos teus encontrem esse caminho.
Não leve o que há de ti.
Deixe as dores, as feridas, as doenças,
Em meu desalento.
E a qualquer momento espero que os olhos teus encontrem esse caminho.
Não leve o que há de ti.
Deixe as dores, as feridas, as doenças,
Em meu desalento.
Quarta-feira, Janeiro 14
jkgfhkl
Faz frio.
Na insônia revelam-se seres de cera e vento - dos quais nunca tive medo - mas que agora fazem-me correr.
De lá restou o vazio , a solidão, pois agora
no arrepio de ser eu
desmaio em convulsão.
Dai-me brechas, ó Deus do tempo. Eis agora meu maior descaso.
Eis que se foi em romaria pela vida afora
E agora me arranca suspiros sem fim.
Na insônia revelam-se seres de cera e vento - dos quais nunca tive medo - mas que agora fazem-me correr.
De lá restou o vazio , a solidão, pois agora
no arrepio de ser eu
desmaio em convulsão.
Dai-me brechas, ó Deus do tempo. Eis agora meu maior descaso.
Eis que se foi em romaria pela vida afora
E agora me arranca suspiros sem fim.
Segunda-feira, Janeiro 12
Castelos
Reconheci-a quando cheguei bem perto e vi-a levantar seu rosto. Era uma garota. Um ar de cansaço. Olhos histéricos e gritantes - pareciam querer sangrar a qualquer momento. Seus cabelos faziam curvas distorcidas e irregulares. Uma beleza difícil, dilacerante, deprimente. Assustei-me ao ouvir sua voz - e como era doce, espaçada...
- Conte-me seus sonhos. Deixe-os embriagar minha vida morta.
Ao ouví-la, rasguei-me ao meio.
Seus olhos expurgaram toda a minha ininterrupta dúvida.
Agressivo, agarrei-lhe as mãos num gesto trêmulo. Puxei-a o mais depressa que pude para um abismo próximo dali. Lacrimejando, soluçando, relutando... Seus pés trepidavam por entre os pedregulhos. Estava descalça e tinha os pés pequeninhos.
Com avidez, fiz menção de jogá-la. Queria calar-lhe os lábios a qualquer custo. Naquele momento seus olhos - muito negros - estavam ainda mais histéricos e explosivos.
Permanecemos alguns minutos a contemplar o silêncio e o suor. Escorriam-me gotas quentes pelas costas.
De repente, num impulso voraz, segurando-a pelos braços, não hesitei e o fiz. Abismo abaixo foi-se, letárgica. Em nenhum momento forçou-se ou negou-me o ato. Corpo mole, vi-o desaparecer rapidamente.
Um segundo, dois... Gosto de satisfação.
Cheguei à beira do abismo para glorificar-me. Sentia-me grandioso, mas pasmei. Embranqueci. Meus pensamentos enegreceram-se novamente. Como?
Duas belas azas se abriram. Lançou-se ao ar; intocável, indolor... A enigmática garota.
Desapareceu no céu - azul e claro - como se nunca tivesse existido - e de fato, não havia.
- Conte-me seus sonhos. Deixe-os embriagar minha vida morta.
Ao ouví-la, rasguei-me ao meio.
Seus olhos expurgaram toda a minha ininterrupta dúvida.
Agressivo, agarrei-lhe as mãos num gesto trêmulo. Puxei-a o mais depressa que pude para um abismo próximo dali. Lacrimejando, soluçando, relutando... Seus pés trepidavam por entre os pedregulhos. Estava descalça e tinha os pés pequeninhos.
Com avidez, fiz menção de jogá-la. Queria calar-lhe os lábios a qualquer custo. Naquele momento seus olhos - muito negros - estavam ainda mais histéricos e explosivos.
Permanecemos alguns minutos a contemplar o silêncio e o suor. Escorriam-me gotas quentes pelas costas.
De repente, num impulso voraz, segurando-a pelos braços, não hesitei e o fiz. Abismo abaixo foi-se, letárgica. Em nenhum momento forçou-se ou negou-me o ato. Corpo mole, vi-o desaparecer rapidamente.
Um segundo, dois... Gosto de satisfação.
Cheguei à beira do abismo para glorificar-me. Sentia-me grandioso, mas pasmei. Embranqueci. Meus pensamentos enegreceram-se novamente. Como?
Duas belas azas se abriram. Lançou-se ao ar; intocável, indolor... A enigmática garota.
Desapareceu no céu - azul e claro - como se nunca tivesse existido - e de fato, não havia.
Domingo, Janeiro 11
E a vida morta prossegue (pelos anos novos sem fim...)
Eis-me aqui, para a nada justificativa falha.
Renovar-lhe-ei em breve, pois, ventos novos sopram
desesperadamente em meus ouvidos
que mesmo velhos
se deparam a escuta de lamúrias novas.
Quem sabe um livro, um ânimo, um papel, poucas páginas, uma publicação sequer...
Ventos novos sopram, desesperadamente em meus ouvidos...
Renovar-lhe-ei em breve, pois, ventos novos sopram
desesperadamente em meus ouvidos
que mesmo velhos
se deparam a escuta de lamúrias novas.
Quem sabe um livro, um ânimo, um papel, poucas páginas, uma publicação sequer...
Ventos novos sopram, desesperadamente em meus ouvidos...