Quinta-feira, Maio 14
Maio
O melhor presente
digo
a fumaça circular
meu inimigo
de papel e cera
e vozes
que não dizem nada
e o nada
é sempre o mesmo
nada
quando se faz aniversário
em duas linhas.
O melhor presente
dos meus sentidos
é ter sentido
um colo
sujo
de lama
Um copo sujo
de graça
Uma voz rouca
de graxa
Um colo amigo
de dor.
O melhor presente
no dia da dor
se esvaiu
em cinzas pelas calçadas.
E o papel que
eu escrevo
é turvo
desconexo
cor da cor
da última dor
da calçada.
Estou sentada
olhando o nada
porque é isso
que ainda me resta,
porque é isso
que sou agora.
digo
a fumaça circular
meu inimigo
de papel e cera
e vozes
que não dizem nada
e o nada
é sempre o mesmo
nada
quando se faz aniversário
em duas linhas.
O melhor presente
dos meus sentidos
é ter sentido
um colo
sujo
de lama
Um copo sujo
de graça
Uma voz rouca
de graxa
Um colo amigo
de dor.
O melhor presente
no dia da dor
se esvaiu
em cinzas pelas calçadas.
E o papel que
eu escrevo
é turvo
desconexo
cor da cor
da última dor
da calçada.
Estou sentada
olhando o nada
porque é isso
que ainda me resta,
porque é isso
que sou agora.
Terça-feira, Maio 5
Vontade
Hoje estou com vontade de música.
Daqueles vontades quentinhas de um fim de tarde vazio.
Daquelas vontades melancólicas quando não se tem mais esperança.
Hoje estou com vontade de devorar
Notas, letras, canções.
Cada gesto, cada cheiro,
dos cantinhos salgados de mar.
Hoje, não é mais hoje quando se tem desejos
Daqueles desejos irrealizáveis, tão longínquos,
dos quais me desponho a sonhar. Em vão.
Daqueles vontades quentinhas de um fim de tarde vazio.
Daquelas vontades melancólicas quando não se tem mais esperança.
Hoje estou com vontade de devorar
Notas, letras, canções.
Cada gesto, cada cheiro,
dos cantinhos salgados de mar.
Hoje, não é mais hoje quando se tem desejos
Daqueles desejos irrealizáveis, tão longínquos,
dos quais me desponho a sonhar. Em vão.